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Vendas de implementos rodoviários têm forte queda em janeiro

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Férias coletivas prolongadas e crédito mais restrito impactaram o resultado

 

Roberto Hunoff

Foto Pedro Tesch, Divulgação

 

A indústria de implementos rodoviários registrou, no primeiro mês de 2026, recuo de 23,5% nas vendas em relação a igual mês do ano passado. Foram entregues 8.760 produtos, divididos em 4.335 veículos pesados, queda de 30%, e 4.425 carrocerias sobre chassi, declínio de 16%. “As férias coletivas mais longas e a conjuntura desfavorável ao crédito cobraram seu preço”, definiu José Carlos Spricigo, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

 

Na avaliação do dirigente, os principais entraves para um desempenho melhor são a manutenção dos juros altos, o crédito caro e as dificuldades no fluxo de caixa e para renegociar dívidas. Assinalou que pelos dados da Serasa o país tem número recorde de endividamento empresarial, com cerca de 8,7 milhões de CNPJs negativados em outubro de 2025, sendo a maioria (8,2 milhões) de micro, pequenas e médias empresas.

 

Entre as 14 linhas de equipamentos pesados, somente três apresentaram resultado positivo. Tanque inox teve a alta mais expressiva, de 104%, e 49 unidades entregues. O florestal avançou 64% para 79 emplacamentos e o canavieiro, 4%, com 132 vendas. O graneleiro/carga seca segue como líder de mercado, com 850 entregas, e redução de 27,5%. Basculante teve recuo de 32%, com 804 vendas, e tanque de carbono, com 223 emplacamentos, apurou o pior desempenho, com baixa de 62,5%.

 

No segmento de carroceria sobre chassis a queda ocorreu nas sete linhas de produtos. O baú de alumínio/frigorificado mantém a liderança, com 1.833 entregas, mas com recuo de 17,5%. O baú lonado teve o pior resultado, de 41% de baixa, e 27 unidades vendidas

 

A projeção da Anfir para este ano é de 148 mil unidades vendidas, sendo 70 mil de veículos rebocados e 78 mil de carrocerias sobre chassi. Graneleiros e basculantes devem representar em torno de 40% das vendas de pesados. Em 2025, a indústria entregou ao mercado interno 149.206 unidades, recuo de 6% sobre o ano anterior. Foram 70.997 veículos rebocados e 78.209 carrocerias sobre chassi. Já as exportações tiveram salto de 43,5% para 4.959 unidades. A expectativa para este ano é crescer 10% nos embarques.

 

Como fatores positivos para o ano, o presidente da Anfir cita a projeção de alta na produção agrícola, com 350 milhões de toneladas de grãos. Destaca também a renovação da frota por meio do programa Move Brasil, com destinação de R$ 10 bilhões, a juros em torno 13%. No primeiro mês de vigência, o BNDES financiou 1,1 mil caminhões.

 

Copa do Mundo, e-commerce e nova tabela do Imposto de Renda deverão, na avaliação de Spricigo, potencializar o varejo e os bens de consumo. Ainda há expectativa favorável no ramo de locação, onde as empresas estão com estoque reduzido. Para o custo de produção, o dirigente vislumbra uma situação mais favorável, com os preços estáveis na cadeia de suprimentos, principalmente do aço, item de grande influência no segmento.

 

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