Entidade entregou manifesto multissetorial ao governo federal com diagnóstico e propostas para promover a atividade nacional e seu ecossistema
Redação TranspoData
Foto Banco de Imagens, Divulgação
A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) enviou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços um manifesto multissetorial em que pede providências urgentes para buscar reverter a situação atual. A entidade aponta como um dos principais problemas a entrada massiva de pneus importados no país, muitas vezes em condições que fomentam uma competição desleal no mercado.
O documento alerta que toda a cadeia de produção do setor, que envolve produtores de borracha e fabricantes de aço, químicos e têxteis, está sendo duramente afetada por produtos importados que chegam ao país em alto volume, incluindo situações com preços inferiores aos custos de produção no mercado internacional e sem cumprir as exigências ambientais previstas na legislação brasileira. Segundo dados do Ibama, há 15 anos seguidos, parte dos importadores não cumpre as metas de recolhimento de pneus inservíveis, acumulando 500 mil toneladas não retiradas do meio ambiente.

Segundo a ANIP, a participação de pneus de passeio e carga produzidos no país para o mercado de reposição passou de 63%, em 2021, para 41%, em 2025, por conta de condições assimétricas de competição neste mercado. A tendência de queda se aprofundou em janeiro deste ano, quando a participação do produto nacional chegou a inéditos 28% contra 72% dos importados. “Além das medidas tomadas pelos fabricantes, contamos com o urgente apoio do governo para tomar as providências cabíveis de forma a garantir uma competição justa. Caso contrário, corremos o risco de desindustrialização do setor, com impactos severos em outros segmentos, como o da borracha natural, por exemplo, que vende 80% de sua produção para as fabricantes de pneus”, adverte Ricardo Navarro, presidente da ANIP.
Segundo o manifesto, a degradação do mercado envolve diferentes externalidades que desequilibram a competitividade da indústria nacional. Entre os problemas centrais estão a assimetria de preços, instabilidade tarifária, pressão cambial, desvio de comércio e passivo ambiental. Para enfrentar a situação, as entidades defendem medidas urgentes como controle de entrada, proteção imediata, compras públicas sustentáveis, isonomia tarifária e fomento à matéria-prima local. “Com a adoção destas medidas será possível estabelecer bases mais justas de competição, impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil”, salientou.
De acordo com a ANIP, com base nos dados do Ibama, entre 2011 e 2024, a indústria nacional cumpriu em 101,7% as metas ambientais estabelecidas, acumulando 183.118m³ de crédito de carbono, com a destinação total de 5,5 milhões de pneus inservíveis. Já os importadores cumpriram somente 82,9% das metas, com destinação de 2,4 milhões de unidades. O passivo ambiental estimado é de 494 mil pneus.

As vendas totais de pneus nacionais registraram queda de 11,5% em janeiro frente a igual período do ano anterior. As fabricantes nacionais reportaram 2,6 milhões de unidades comercializadas contra 2,9 milhões no ano anterior. A retração das vendas foi de 7,8% no segmento de reposição e de 18,5% para montadoras. As vendas de pneus de passeio recuaram 9,6% e de carga chegou a 21,6%.
O manifesto tem apoio, até o momento, da Associação Brasileira da Indústria Química, Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural, Associação Latino Americano de Pneus e Aros, Associação do Movimento Nacional de Produtores e Sangradores, Associação Paulista de Produtores Beneficiadores de Borracha, Associação Brasileira das Distribuidoras Bridgestone Bandag, Empresa de Destinação Adequada de Pneumáticos Inservíveis, Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Reciclanip e Sindicato Nacional da Indústria de Pneumáticos, Câmaras de Ar e Camelback.


