Montadora investiu em torno de R$ 300 milhões para consolidar o desenvolvimento de veículo utilitário, em parceria com a chinesa SAIC
Roberto Hunoff
Foto VWCO, Divulgação
Ao completar 45 anos, a Volkswagen Caminhões e Ônibus prepara a expansão de seu portfólio de comerciais leves, passando a competir também no segmento de utilitários, com um veículo produzido na China pela SAIC Motor. Ainda sem informações sobre o nome e os preços, que serão tornados públicos durante a Fenatran 2026, o produto foi desenvolvido com base em conceitos nacionais, o que gerou em torno de 250 adaptações no modelo já montado pela empresa parceira, com a qual o Grupo Volkswagen mantém relacionamentos há quatro décadas. “Com o mesmo DNA da nossa marca, os produtos chegam dentro do conceito sob medida, seguindo a filosofia menos você não quer, mais você não precisa”, assinalou Roberto Cortes, presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, durante apresentação do veículo em evento realizado em São Paulo.
As vendas terão início na Fenatran, com entregas programadas para 2027. A projeção do vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas, Ricardo Alouche, é que no médio prazo a marca tenha uma participação de 20% neste segmento de mercado, que cresceu média de 15% anuais entre 2023 e 2025, saindo de 38 mil unidades vendidas para 50 mil. Inicialmente, o produto será apenas para cargas, com possibilidade de avançar para o transporte de pessoas no futuro. “Atender o mercado de last mile era um sonho antigo da marca. É um produto alinhado com a necessidade dos nossos clientes diante do crescimento vigoroso do e-commerce”, acrescentou.
Para atender ao novo segmento, que tem aplicação urbana, a montadora terá concessionárias exclusivas nas grandes e médias cidades. Para São Paulo, já estão confirmados três grupos. Nas cidades menores, o atendimento será único. Alouche destaca que as 150 operações da rede de distribuição aderiram ao projeto e estão preparando suas equipes. A área de serviços financeiros da marca também se movimenta no sentido de atender o novo segmento, que tem como característica as negociações nos fins de semana, pouco comum nos segmentos de caminhões e ônibus. “Para atender este horário ampliado, vamos aumentar o quadro de colaboradores”, anunciou o CEO do Banco Traton, Eduardo Portas.

A VWCO destinou em torno de R$ 300 milhões para o desenvolvimento do novo produto. Para chegar ao objetivo, foram necessárias 20 mil horas de testes em laboratórios e bancadas, além de 1,5 milhão de quilômetros rodados, sendo parte em geografia com mais de 4 mil metros de altitude. A maioria das 250 adaptações feitas se refere a sobrecargas, muito comuns no mercado nacional, o que exige reforço na suspensão, e ao ajuste aos 17% de biodiesel misturados ao diesel, que será o combustível no estágio inicial. Uso de combustíveis alternativos dependerá de estudos.
De acordo com Cortes, na primeira fase, o veículo será montado na China. Assinalou que a inspeção e entrega certificada ao cliente se concentrarão na planta fabril de Resende (RJ). As vendas se iniciarão pelo Brasil e, posteriormente, na Argentina. A fase posterior contempla importação de kits e peças, com montagem regionalizada. O avanço para demais mercados externos ocorrerá em prazo mais alongado.

