Balanço de 2025 apontou recuo de 9,2% em caminhões e alta de 6,8% em ônibus
Roberto Hunoff
Foto Banco de Imagens, Divulgação
O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal no ano passado, é apontado como fator determinante para amenizar, em 2026, a queda na venda de caminhões apurada no ano passado. De acordo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado nacional absorveu 113,5 mil unidades, baixa de 9,2%. O segmento de pesados foi o mais afetado, com 20,5% de recuo.
Na coletiva de imprensa, o presidente da entidade, Igor Calvet, frisou que o programa assegura recursos na ordem de R$ 10 bilhões, com taxas de juros mais acessíveis, entre 11,8% e 13,9%, mais IOF, em relação às atuais de mercado, que variam de 18% a 22%. “Trata-se de uma solução momentânea, pois o programa se encerra em 25 de maio, mas fundamental para destravar o segmento”, ressaltou.
De acordo com o presidente, demanda existe, fato comprovado por depoimentos de concessionários. As compras não têm se confirmado em função dos altos juros. “Pode até ocorrer uma compra antecipada em razão do programa”, assinalou.
O limite de valor por cliente, que terá até 60 meses para quitar o financiamento, é de R$ 50 milhões. Os principais benefícios apontados são renovação de frota, preservação do meio ambiente, segurança e manutenção de empregos. A projeção de produção para este ano é bastante semelhante ao observado no segundo semestre de 2025. No ano passado, o setor produziu 124,1 mil unidades, recuo de 12%.
No segmento de chassis de ônibus, a situação é diferente. Os 24 mil emplacamentos representaram avanço de 6,8% sobre o ano de 2024. Já a produção avançou apenas 1,6%, para 28,2 mil unidades. As exportações de pesados, em 2025, cresceram 47%, para mais de 33,4 mil veículos.
Para 2026, a Anfavea estima 136 mil emplacamentos de caminhões e ônibus, queda de 1,5%, e produção de 154 mil unidades, alta de 1,4%. As exportações são estimadas em 33 mil veículos, número similar ao de 2025.
Automóveis e comerciais leves
Os emplacamentos de veículos e comerciais leves subiram 2,1% na comparação com 2024, totalizando 2,552 milhões. A produção de 2,644 milhões representou alta de 3,5% e as exportações somaram 495,4 mil unidades, evolução de 31%. Os comerciais leves apresentaram alta de 3,3% na produção, com 501,7 mil veículos, avanço de 3%. Já os emplacamentos totalizaram 554,9 mil unidades, crescimento de 3%.
Para 2026, a Anfavea estima produção de 2,586 milhões de automóveis comerciais leves, avanço de 3,8%. Os emplacamentos devem ser de 2,625 milhões unidades, evolução de 2,8%, e as exportações de 503 milhões, alta de 1,5%. Um dos principais ingredientes será a política de incentivo aos carros sustentáveis, que devem avançar em torno de 6%. Entre julho e dezembro de 2025, os seis modelos homologados tiveram incremento de 15,6% na comparação com igual período do ano anterior, somando 247,4 mil unidades.


