Fabricante gaúcha de vidros consolidou crescimento de 10,4% no exercício passado
Roberto Hunoff
Foto Edivan Rosa, Divulgação
A Tecnovidro estima avançar 8,5% neste ano, alinhada ao cenário esperado para o setor e às tendências de recuperação gradual de segmentos industriais. Em 2025, a empresa sediada em Farroupilha (RS) consolidou alta de 10,4%, acima da média nacional de processamento de vidros, que foi de 7,2% até novembro, de acordo com o Termômetro Abravidro. O índice também é superior ao apurado pela empresa em 2024, de 9,5%. A receita líquida consolidada foi de R$ 90 milhões e a estimativa para este ano é de R$ 97,5 milhões.
De acordo com o diretor-executivo da Tecnovidro, Marco Aurélio De Bastiani, o resultado é impulsionado, sobretudo, pela demanda consistente dos mercados de ônibus e de máquinas agrícolas. “Ambos mantiveram ritmo firme ao longo do ano e ampliaram o volume de pedidos para aplicações especiais em vidro técnico”, ressaltou. Na avaliação do executivo, o ano de 2026 trará mais desafios em função das eleições.
Em relação ao mercado de ônibus, a sinalização é que seja repetido o desempenho de 2025. “As montadoras anteciparam as férias prevendo a retomada do ritmo do ano passado”, acrescenta. De Bastiani frisa que no segmento de ônibus houve uma melhora no mix de produtos em razão do aumento de venda de rodoviários, que exigem maior volume de para-brisas. Também projeta um incremento na reposição, considerando a idade média elevada da frota. “Enxergamos oportunidades na reposição e no mercado original”, comenta.
Elenca ainda o incentivo de prefeituras no uso de ônibus elétricos. De acordo com o executivo, a empresa já desenvolveu tecnologia de vidros de espessura mais fina para atender o movimento da transição energética. “Veículos elétricos têm necessidade de redução de peso dos componentes em função das baterias. E vidros têm um peso relevante”, destaca. Ponderou, no entanto, que em visita a uma feira internacional, na Bélgica, em agosto passado, constatou elétricos com vidros de espessura maior do que a usada aqui.
Nos últimos três anos, a empresa investiu em torno de R$ 40 milhões na aquisição de novos equipamentos e desenvolvimento de produtos. Dentre eles, as linhas de vidros técnicos para cabines de máquinas agrícolas e para-brisas de ônibus. De Bastiani destaca que a nova linha agrícola está em fase final de ajustes. “Entramos no processo de ramp-up e já detectamos ganhos em capacidade produtiva para atender este mercado potencial. No momento, os clientes estão sem pressa para acelerar novos produtos, mas projetamos início de fornecimento a partir de abril para alguns”, reforçou.
O mercado externo, que atualmente participa com 5% da receita, é outra fonte onde a empresa pretende atuar de forma mais consistente. “Com o desenvolvimento de novos produtos e ampliação de portfólio devemos ganhar tração neste mercado”, afirma. O diretor acredita que a Venezuela, caso tenha mudanças no regime, deverá ser uma oportunidade potencial, principalmente na reposição de frotas de ônibus em circulação.
Os próximos ciclos de investimentos deverão ser mais pontuais, de menor valor, especialmente em soluções para amenizar a dificuldade de retenção e contratação de funcionários. “Acreditamos ter alcançado um nível tecnológico bem interessante para atender os atuais e novos segmentos. Nos preocupa e muito a questão da carência de mão de obra”, avalia.
A empresa também investiu na ampliação e renovação de certificações para garantir presença nos ônibus vendidos nos mercados dos Estados Unidos, Europa e Brasil. “Teremos uma ação de marketing, a partir do próximo mês, para mostrar esta nossa preocupação em atender as exigências legais, condição pouco comum no mercado”, salientou.
O segmento automotivo representa 85% do faturamento da empresa. O restante tem origem em mobiliário corporativo, refrigeração e equipamentos gastronômicos, moveleiro e decorações, e projetos exclusivos. Fundada em 1986, a Tecnovidro emprega 270 colaboradores e tem capacidade mensal para produzir 50 mil m² de vidros automotivos.


